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Uma mulher Descobirndo-se.

Foto do escritor: Raquel Costa
Raquel Costa
há 6 dias
2 min de leitura

As neurodivergencias e diagnosticos na vida adulta.


Hoje, venho conversar com vocês sobre o poder do autoconhecimento, o poder de formular as próprias perguntas e, sobretudo, o poder de encontrar as próprias respostas.

Tenho abordado em meu canal as diferentes dinâmicas do espectro autista, do autismo e da neurodivergência. Hoje, quero trazer a força que pode nascer de uma experiência sobre a qual ainda se fala pouco: a descoberta do autismo em mulheres adultas.

Estudos têm demonstrado que muitas mulheres conseguem camuflar suas dificuldades sociais por mais tempo, desenvolvendo estratégias para corresponder às expectativas e se adaptar aos diferentes ambientes. Entretanto, essa camuflagem pode gerar sobrecarga, sofrimento psíquico e uma enorme demanda interna para administrar emoções e situações complexas.

Receber um diagnóstico de autismo na vida adulta pode oferecer sentido a experiências que, durante toda a vida, pareciam não ter explicação. Para conseguir se encaixar socialmente, muitas mulheres se submeteram a modelos de comportamento que não respeitavam sua maneira de existir. Elas aprenderam a esconder desconfortos, controlar reações, observar e imitar comportamentos, muitas vezes à custa de intenso sofrimento emocional e social.

Quando compreende isso, essa mulher pode começar a transformar sua vida. Inicia-se, então, um processo de reconstrução da identidade.

Isso não significa que a mulher que existia antes do diagnóstico deixe de existir. Ela permanece como testemunha de tudo o que foi vivido e de todos os caminhos percorridos — inclusive daqueles que não precisam mais ser repetidos.

Receber o diagnóstico de uma neurodivergência, como o transtorno do espectro autista ou o TDAH, não define toda a identidade de uma pessoa. O diagnóstico pode funcionar como um mapa: ele ajuda a reconhecer necessidades, compreender limites e encontrar caminhos que tornem a vida um pouco mais possível e menos dolorosa.

Uma mulher já acumula muitas funções dentro da sociedade. E o desempenho constante dessas funções pode exigir a utilização de diferentes máscaras.

Começar a desfazer essas máscaras após o diagnóstico não significa receber uma etiqueta de incapacidade ou de não funcionalidade. Muito pelo contrário. Significa reconhecer que chegamos à vida adulta atravessando inúmeras situações sem o suporte adequado, tentando parecer aquilo que não éramos para caber em contextos que não acolhiam nossa forma natural de existir.

E fazíamos isso muito bem mas, frequentemente, à custa de um sofrimento interno que somente quem passou por essa experiência poderá compreender verdadeiramente.

Se você se reconhece nesta história, siga o meu perfil @raquelcosta_psicanalista.

E lembre-se: você não está sozinha. Como você, existem muitas outras mulheres.

Encontrar-se na vida adulta pode ser uma das experiências mais bonitas para uma mulher dentro do espectro. Libertar-nos do preconceito que aprendemos a reproduzir contra nós mesmas é também uma maneira de alcançar a liberdade.

Isso não significa que, depois do diagnóstico, tudo se tornará maravilhoso. Significa que poderemos construir caminhos melhores: olhando para aquilo que não foi, tornando a vida mais compreensível e respeitando nossas dores, nossas necessidades e os nossos próprios limites.

 
 
 

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