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Ética na Imersão do Inconsciente.

  • Foto do escritor: Raquel Costa
    Raquel Costa
  • 17 de abr.
  • 3 min de leitura

A consciência da Responsabilidade do Analista e suas responsabilidades éticas.

Por: Raque Costa



Ao longo dessa jornada em que venho buscando conhecimento em diversas áreas do saber, a única coisa que sei absolutamente é que sempre haverá algo novo para aprender. Em momento algum, em nossa existência como seres humanos, teremos a completude de toda sabedoria .E, se caímos na ilusão de sermos conhecedores plenos do segredos da vida, corremos o risco de entrar em um limbo da ignorância.

Essa compreensão, para mim, não é apenas uma reflexão intelectual  é um princípio ético que sustenta a forma como exerço minha prática clínica. Reconhecer os limites do próprio saber é, ao mesmo tempo, um ato de responsabilidade e de respeito pelo outro que busca pelo meu trabalho.

Para ilustrar esse posicionamento, utilizo a analogia do mergulho ao inconsciente, representado pela imagem de um submarino e sua tripulação. Na análise, o paciente é o comandante do submarino, embora muitas vezes pense que não. É ele quem ocupa a posição de controle da própria trajetória, quem decide a direção e quem sustenta a responsabilidade pelo seu caminho. Embora em alguns momentos queira transferir essa responsabilidade.

O analista, por sua vez, não conduz  o submarino e não ocupa o lugar de comando. O analista é o copiloto que permanece ao lado do comandante atento aos sinais, ajustando os equipamentos, observando as condições do percurso e analisando possíveis rotas que possam surgir, ocupando seu lugar de responsabilidade no sucesso de uma missão bem sucedida ou até mesmo um possivel fracasso.

O  papel do analista é acompanhar, interpretar e traduzir os movimentos que emergem do inconsciente, auxiliando  o comandante a compreender melhor o território que está sendo explorado.Assim, o paciente pode seguir adiante com mais clareza, consciência e autonomia, aproximando-se de seu próprio seber.

Esse posicionamento parece paradoxal, mas, na psicanálise ética e integradora à qual fundamento minha prática clínica, ele se torna um valor diretivo fundamental. O inconsciente, como nos ensinou Freud, não tem fronteiras - ponto final. E, justamente por isso, quando nos debruçamos a pôr luz sobre um sintoma latente e insistimos nesse trabalho, mesmo diante de desconfortos, abrimos espaço para descobertas profundas sobre quem somos, tanto quando aplicamos a analise a o ser singular, ou quando aplicamos no coletivo.

 Por esta causa sou uma profunda admiradora de profissionais que exercem suas práticas em diferentes áreas do conhecimento, com ética e respeito ao ser humano. Ainda algo que aprendi ao longo da minha formação e da miha experiência é que o exercício profissional exige mais do que técnica, exige ética, respeito e maturidade emocional.

O conhecimento técnico é essencial, assim como o treinamento psíquico. No entanto, compreendo que esse treinamento não é apenas para o paciente. Ele é, antes de tudo, necessário para o próprio profissional, que precisa lidar com sua responsabilidade emocional diante do sofrimento humano.

Caso contrário, os efeitos dos distúrbios para o psíquico humano podem ser ampliados.Na análise, o processo estimula um treinamento psíquico contínuo, não para controlar o outro, mas para sustentar um espaço seguro de escuta, reflexão e elaboração.

Ser analista, portanto, é reconhecer que não somos os primeiros a lidar com determinadas dores, conflitos ou experiências humanas. É compreender que aquilo que aparece no setting (sessão analitica) não nos pertence e que, justamente por isso, exige postura ética, discernimento e compromisso.

Também é entender que a prática clínica pode tanto ajudar quanto prejudicar, dependendo da forma como é conduzida.

Sem humildade, o conhecimento pode se transformar em instrumento de imposição. Com humildade, ele se transforma em instrumento de cuidado.

Não é apenas a divisão de tarefas ou os caminhos profissionais que nos permitem avançar. O que sustenta o trabalho clínico é a responsabilidade para com o próximo.

Essa responsabilidade exige atenção, reflexão e consciência constante do impacto que nossas atitudes podem ter na vida de quem nos procura .Porque a postura do profissional pode tanto favorecer o crescimento quanto gerar sofrimento, se não houver um ambiente verdadeiramente reflexivo.

Por isso, a ética analítica que venho buscando construir na minha clínica se baseia em um princípio simples, mas profundamente exigente:acompanhar o outro com respeito, sustentar o processo com responsabilidade e reconhecer, todos os dias, que o saber nunca é completo  e que é justamente essa incompletude que mantém viva a escuta analítica.





"Se alguém puder me refutar e provar que não estou pensando ou agindo corretamente, mudarei de bom grado. Pois busco a verdade, pela qual ninguém jamais foi verdadeiramente prejudicado. É aquele que persiste em seu próprio autoengano e ignorância que é prejudicado."

Marco Aurélio.

 


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